CNT detalhou onde investir os R$ 2 trilhões considerados prioritários para eliminar gargalos da infraestrutura de transporte e ampliar a competitividade do país
A expansão da infraestrutura ferroviária concentra aproximadamente R$ 1,1 trilhão dos R$ 2 trilhões em investimentos propostos pelo “Plano CNT de Transporte e Logística 2026”. Segundo a confederação, o diagnóstico reforça que a ampliação dos grandes corredores ferroviários é considerada estratégica para aumentar a competitividade do país.
A carteira de investimentos inclui também R$ 511,5 bilhões para rodovias, R$ 173,1 bilhões para hidrovias, R$ 125,1 bilhões para infraestrutura portuária, R$ 36,9 bilhões para terminais e R$ 28,3 bilhões para aeroportos, distribuídos em projetos voltados à eliminação de gargalos logísticos e à integração dos diferentes modos de transporte.
Enquanto o Governo Federal apresenta, nesta quarta-feira (12), o Plano Nacional de Logística (PNL) 2050, que orientará o planejamento da infraestrutura de transportes nas próximas décadas, a CNT detalhou as prioridades apontadas em seu ‘Plano de Transporte e Logística’.
A carteira elaborada pela Confederação reúne 2.837 projetos considerados estratégicos para ampliar a capacidade da infraestrutura nacional, reduzir custos logísticos e fortalecer a integração entre os diferentes modos de transporte.
Para a CNT, a carteira de investimentos representa um roteiro técnico das intervenções consideradas prioritárias para enfrentar os principais gargalos históricos da infraestrutura brasileira.
“Ao detalhar onde estão concentrados os investimentos propostos, o Plano reforça a importância do planejamento de longo prazo para ampliar a competitividade do país, reduzir custos logísticos e orientar políticas públicas e investimentos capazes de transformar a infraestrutura nacional”, explicou a diretora executiva da CNT, Fernanda Rezende.
FORTALECER O TRANSPORTE FERROVIÁRIO
De acordo com a CNT, a malha ferroviária brasileira ainda apresenta limitações para atender ao crescimento da demanda por transporte de cargas e ampliar a integração entre as regiões produtoras e os portos. Dos cerca de R$ 2 trilhões previstos na carteira de investimentos, aproximadamente R$ 1,1 trilhão está destinado a projetos ferroviários, considerados estratégicos para reduzir custos logísticos, ampliar a capacidade de escoamento da produção e tornar a matriz de transporte brasileira mais equilibrada.
Os recursos priorizam a ampliação dos grandes corredores responsáveis pela movimentação de cargas minerais, agrícolas e industriais. Entre os empreendimentos estratégicos destacados pelo Plano, estão a Ferrovia Norte-Sul, a Estrada de Ferro Carajás e a Ferrovia Transnordestina. Esses corredores conectam a produção mineral do Norte, o agronegócio do Centro-Oeste e a produção do Nordeste aos principais portos brasileiros.
O Plano também contempla corredores ferroviários de elevada relevância econômica no Sudeste e no Sul, responsáveis por conectar polos industriais e agrícolas aos portos da região e ampliar a capacidade de transporte de cargas destinadas ao mercado interno e às exportações.
MODERNIZAR A INFRAESTRUTURA RODOVIÁRIA
Para a CNT, as rodovias continuarão sendo, por muitos anos, o principal meio de movimentação de cargas e passageiros no Brasil. Ao mesmo tempo, o crescimento da demanda e o desgaste da infraestrutura tornam necessárias obras de ampliação da capacidade e modernização dos principais corredores logísticos do país. O Plano destina aproximadamente R$ 511,5 bilhões para duplicações, pavimentação, recuperação de pavimentos, construção de contornos urbanos, pontes, viadutos e melhorias de segurança.
Os investimentos destacam corredores estratégicos para o escoamento da produção nacional, especialmente aqueles que conectam o Centro-Oeste aos portos brasileiros. Na região Norte, por exemplo, destacam-se a BR-163, a BR-319 e a BR-364, fundamentais para ligar a produção agropecuária do Centro-Oeste aos portos do Arco Norte e ampliar a eficiência das exportações.
AMPLIAR O USO DAS HIDROVIAS
Apesar de possuir uma das maiores redes hidrográficas do mundo, o Brasil ainda utiliza relativamente pouco esse potencial para o transporte de cargas. O Plano identifica nas hidrovias uma das maiores oportunidades para reduzir custos logísticos e diversificar a matriz de transporte. Para isso, o documento apresenta projetos de aproximadamente R$ 173,1 bilhões para melhorias na navegabilidade, implantação de corredores hidroviários e integração desse sistema com portos e ferrovias.
Grande parte dessa estratégia concentra-se na região Norte, onde os rios Amazonas, Madeira, Tapajós e Tocantins desempenham papel fundamental na circulação de cargas e passageiros e na ligação entre o interior da Amazônia, o Centro-Oeste e os portos do Arco Norte.
EXPANDIR A CAPACIDADE DOS PORTOS
Na avaliação da confederação, os gargalos nos acessos e na infraestrutura portuária ainda limitam a eficiência do comércio exterior brasileiro e aumentam os custos do transporte. Para enfrentar esse desafio, o Plano aponta a necessidade de aproximadamente R$ 125,1 bilhões destinados à ampliação da capacidade operacional, melhoria dos acessos terrestres e maior integração entre rodovias, ferrovias e hidrovias.
Na região Norte, destacam-se os portos de Santarém, Barcarena, Manaus e Itacoatiara, estratégicos para o crescimento do Arco Norte. Já no Nordeste, aparecem como prioridades os portos de Suape, Pecém, Itaqui, Salvador, Natal e Maceió, importantes tanto para o comércio exterior quanto para a cabotagem brasileira. No Sul e no Sudeste, os investimentos também abrangem portos estratégicos, como Santos (SP), Rio de Janeiro (RJ), Paranaguá (PR), Itajaí (SC) e Rio Grande do Sul (RS), fundamentais para a movimentação de cargas industriais, do agronegócio e do comércio exterior.
FORTALECER A CONECTIVIDADE AÉREA
Para ampliar a conectividade, o Plano destina aproximadamente R$ 28,3 bilhões à expansão e à melhoria da infraestrutura aeroportuária, buscando aumentar a capacidade operacional dos aeroportos e fortalecer a integração da malha aérea com os demais modos de transporte.
Na região Norte, o transporte aéreo desempenha papel essencial na ligação entre municípios isolados e na integração da Amazônia ao restante do país. Em todas as regiões, o Plano destaca projetos de aeroportos em municípios de importância regional e sub-regional, com potencial de movimentação de passageiros e cargas para impulsionar as atividades econômicas e o turismo.
INTEGRAR OS DIFERENTES MODOS DE TRANSPORTE
De acordo com a CNT, além da expansão da infraestrutura em cada modo de transporte, um dos grandes desafios da logística brasileira é melhorar a conexão entre eles. Por isso, o Plano prevê aproximadamente R$ 36,9 bilhões para terminais de cargas e passageiros para fortalecer os pontos de integração entre rodovias, ferrovias, hidrovias, portos e aeroportos e tornando a movimentação de pessoas e mercadorias mais eficiente.
Fonte: Mundo Logística






