Pressão sobre custos, mudanças regulatórias e desafios trabalhistas reforçam necessidade de revisão das estratégias no Transporte Rodoviário de Cargas
Com a chegada do segundo semestre, o Transporte Rodoviário de Cargas (TRC) entra em um período que exige atenção redobrada das empresas. Depois de seis meses marcados por mudanças regulatórias, aumento dos custos operacionais e desafios relacionados à mão de obra, revisar indicadores, reorganizar despesas e antecipar decisões passa a ser fundamental para preservar a eficiência e a competitividade das operações. A mais recente edição do Índice CNT de Confiança do Transportador Rodoviário de Cargas (ICTR-C) aponta que os empresários seguem preocupados com o ambiente econômico: 43,4% avaliam que os custos operacionais continuarão aumentando. Além disso, 44,2% não pretendem realizar investimentos até o fim do ano, reflexo de um cenário marcado por juros elevados, aumento das despesas, incertezas regulatórias e tributárias e margens cada vez mais pressionadas.
O cenário ganha relevância diante do peso do transporte rodoviário na logística nacional. Responsável por cerca de 65% da movimentação de cargas no país, o setor chegou à metade de 2026 enfrentando um ambiente de maior complexidade. Entre os principais ajustes recentes estão as novas regras relacionadas ao Código Identificador da Operação de Transporte (CIOT), alterações no Manifesto Eletrônico de Documentos Fiscais (MDF-e) e a mais recente discussão envolvendo a Medida Provisória nº 1.343/2026, que foi aprovada no Senado.
Segundo a presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas de Campinas e Região (SINDICAMP), Rafaela Cozar, o planejamento deixou de ser apenas uma ferramenta administrativa e passou a ocupar posição central na estratégia das empresas e o momento deve ser aproveitado pelas transportadoras para avaliar os resultados alcançados nos primeiros meses do ano e identificar os pontos da operação que precisam de ajustes para o restante de 2026. “O segundo semestre exige que as empresas olhem para a operação de forma estratégica. É o momento de revisar indicadores, avaliar custos, identificar oportunidades de melhoria e entender onde estão os principais riscos para os próximos meses. Quanto mais informações o empresário tiver sobre a própria operação, maior será sua capacidade de tomar decisões assertivas e preservar a competitividade”, afirma.
Um dos principais pontos de atenção permanece no controle dos custos. Dados divulgados pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado de São Paulo (FETCESP) mostram que o diesel chegou a representar entre 35% e 50% do custo operacional das transportadoras, podendo superar 70% em determinadas operações. Ao mesmo tempo, levantamento da NTC&Logística aponta defasagem média de 10,1% no frete rodoviário no início de 2026, pressionando ainda mais as margens das empresas.
Outro desafio continua sendo a gestão de pessoas. Dados da CNT apontam que 65,1% das transportadoras enfrentam dificuldades para contratar motoristas, reforçando a necessidade de investir na valorização profissional, retenção de talentos e desenvolvimento das equipes. Para Rafaela, produtividade está diretamente relacionada à qualidade da gestão. “Hoje, produtividade não significa apenas transportar mais. Significa conhecer os custos da operação, acompanhar indicadores e utilizar dados para tomar decisões mais inteligentes. Empresas que fazem isso conseguem reduzir desperdícios, aumentar a eficiência e enfrentar períodos de maior instabilidade com mais segurança”, explica.
Além da gestão, outro ponto que deve permanecer no radar é a preparação para a implementação gradual da Reforma Tributária. Nesse processo, investimentos em tecnologia, digitalização, modernização da frota e ferramentas de gestão também podem contribuir para ampliar o controle das operações. Veículos mais modernos, por exemplo, tendem a proporcionar ganhos relacionados ao consumo de combustível, manutenção, segurança e desempenho operacional.
Para Rafaela Cozar, o cenário do segundo semestre reforça que planejamento não significa prever todas as mudanças, mas preparar a empresa para responder a elas. “Não temos como controlar todos os fatores externos que afetam o transporte, mas podemos preparar nossas empresas para reagir melhor a eles. Conhecer os números, acompanhar as mudanças, qualificar as equipes e revisar constantemente a estratégia são atitudes que fazem a diferença. O segundo semestre será desafiador, e as empresas mais preparadas terão melhores condições de transformar esses desafios em decisões mais eficientes e sustentáveis”, conclui a presidente.
Fonte: SEGS






