Medida imposta pelos Estados Unidos afeta exportações brasileiras e provoca redução de demanda, paralisação de frotas e preocupação com o desemprego no setor logístico
A aplicação das novas tarifas pelos Estados Unidos já provoca impactos nas exportações brasileiras e no transporte rodoviário de cargas em estados como Paraná e Minas Gerais. A medida, anunciada pelo presidente norte-americano Donald Trump, estabeleceu sobretaxas de até 50% sobre uma série de produtos, afetando diretamente cadeias produtivas como o agronegócio e a indústria.
Embora o governo brasileiro siga buscando soluções diplomáticas, os prejuízos já começaram a se acumular. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou que cerca de 4% das exportações brasileiras são diretamente afetadas pelas tarifas, e que setores estratégicos da economia vêm sendo pressionados. Representantes da indústria, do agronegócio e da logística já pedem medidas emergenciais para mitigar o cenário.
Para o presidente do Sindicato das Empresas de Transporte de Cargas no Estado do Paraná (SETCEPAR), Silvio Kasnodzei, os reflexos já são nítidos no Paraná. “Tivemos relatos de embarcadores que anteciparam seus envios para julho, tentando fugir da tarifação”, afirmou.
Segundo o dirigente, o movimento afeta diversos segmentos da economia paranaense, especialmente o agronegócio, a indústria de base e o setor madeireiro, todos fortemente dependentes do comércio exterior. “Algumas empresas suspenderam a produção ou colocaram equipes em férias coletivas por não saberem como será a comercialização daqui para frente”, relatou.
Mesmo sem cancelamentos formais de contratos até o momento, o setor já identifica paralisação de frotas e ociosidade em alguns terminais logísticos. “Ninguém quer arriscar envio de mercadorias sem saber se haverá aceitação ou viabilidade econômica lá fora. É uma reação em cadeia que afeta portos, transportadoras e o próprio planejamento das empresas exportadoras”, pontuou Kasnodzei.
O temor agora é com o desemprego em massa. “Estamos falando de uma cadeia extensa, com milhares de trabalhadores no Paraná, onde todos dependem do fluxo de mercadorias. Se as exportações travam, essa engrenagem para junto”, alertou o presidente do SETCEPAR.
Além dos efeitos diretos nas exportações para os EUA, cresce o receio de que outros países aliados dos norte-americanos adotem medidas semelhantes, ampliando ainda mais o estrago. “Conversamos com empresas que também exportam para outros destinos e há preocupação de que esses mercados, por pressão geopolítica, venham a impor barreiras ao Brasil”, explicou.
IMPACTO EM MINAS GERAIS
Em Minas Gerais, o presidente do Sindicato das Empresas de Transportes de Cargas e Logística (Setcemg), Antonio Luis da Silva Junior, avaliou que os efeitos ainda serão percebidos de forma gradual, mas já existe expectativa de redução no transporte de café e grãos.
“Inicialmente, os impactos não dão para ser medidos, mas enfrentaremos situações difíceis. A taxação vai impedir a exportação, principalmente da parte de café e da agricultura. O efeito é retardado, mas vai existir. Se a pessoa deixa de exportar, deixa de produzir, de enviar, obviamente vai ter menos transporte, e isso afeta toda a cadeia”, ressaltou.
De acordo com o presidente do Setcemg, o transporte rodoviário será atingido. Segundo ele, com a redução nas cargas exportadas, o volume de movimentações diminui e gera efeitos colaterais diretos, como cortes de produção, desemprego e desaceleração econômica regional.
Para além das tarifas, Silva Junior chamou atenção para um conjunto de desafios que o setor de transporte já enfrenta, como a insegurança jurídica, os altos custos operacionais, a falta de investimentos em infraestrutura e o fim da desoneração da folha de pagamento.
“Estamos passando por um momento nunca vivido. Extremamente difícil. Temos uma insegurança jurídica seríssima, preços defasados para os serviços prestados e nenhum sinal do governo federal de que vai investir em infraestrutura para o setor crescer”, enfatizou.
O presidente reforçou que o estado das rodovias mineiras é precário, especialmente nas regiões com maior fluxo de cargas. “Tenho rodado muito pelo interior e estou assustado com as condições. Trechos estreitos, malconservados e sem sinalização. As rodovias estaduais precisam urgentemente de atenção, principalmente onde há trânsito intenso de caminhões.”
SETOR BUSCA ARTICULAÇÃO
Além dos impactos imediatos nas exportações para os Estados Unidos, dirigentes do transporte rodoviário de cargas demonstram preocupação com a possibilidade de que outros países aliados dos norte-americanos adotem medidas semelhantes, ampliando as restrições ao comércio exterior brasileiro.
No Paraná, segundo o presidente do Setcepar, empresas exportadoras que também atuam em outros mercados já avaliam riscos de novas barreiras. “Conversamos com empresas que também exportam para outros destinos e há preocupação de que esses mercados, por pressão geopolítica, venham a impor barreiras ao Brasil”, explicou Silvio Kasnodzei.
Entidades como a Fetranspar e a NTC&Logística têm participado de fóruns e reuniões com o governo federal para buscar soluções, com foco na negociação diplomática como principal saída.
Segundo Kasnodzei, além de exportar pelo porto de Paranaguá, Paraná também utiliza portos em São Paulo e Santa Catarina, que já registram redução de movimentações. Ele apontou ainda recuo de investimentos, aumento de custos e perspectiva de estagnação econômica no setor logístico.
Em Minas Gerais, o presidente do Setcemg reforçou que a taxação atinge especialmente o agronegócio, com destaque para regiões como Noroeste e Alto Paranaíba, grandes polos de grãos e café. Embora o minério de ferro não esteja entre os produtos afetados, ele afirmou que grãos, café e produtos industrializados já sentem reflexos.
Fonte: Mundo Logística






