EUA anunciam nova tarifa de 12,5% contra Brasil e outros países por suposto uso de trabalho forçado

Nova tarifa pode gerar efeito inflacionário em todo o mundo, avalia especialista

O governo dos Estados Unidos anunciou na noite desta quinta-feira (23/7) a adoção de uma nova tarifa de 12,5% para produtos importados,  implementada após uma investigação do Escritório do Representante do Comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês) sobre supostas práticas de trabalho forçado com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974. 

A investigação alcançou 60 parceiros comerciais dos Estados Unidos. Além do Brasil, outros 53 países receberam a sobretaxa de 12,5%, entre eles China, Argentina, Austrália, Japão, Índia, Reino Unido e África do Sul. Canadá, México, Equador, Indonésia, Paquistão e a União Europeia foram enquadrados em outra categoria e terão tarifa adicional de 10%, por já manterem mecanismos legais de controle, embora considerados insuficientes pelos EUA.

A decisão culmina em uma tarifa acumulada de 37,5% para alguns setores e produtos, já que alguns passaram a ser tarifados em 25% a partir desta semana.

O anúncio ocorreu um dia antes do fim da vigência da tarifa global de 10% imposta em fevereiro. A taxa teve de ser encerrada depois de a Suprema Corte vetar o uso de tarifas globais pelo governo de Donald Trump. Para que a política tarifária se mantivesse, os EUA levantaram uma questão que atingiria um grande número de parceiros comerciais. 

governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) avalia como injusta a adoção da nova tarifa. Em junho, após a divulgação do relatório americano, o ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, afirmou que eventuais sanções unilaterais seriam desproporcionais e injustas contra o Brasil e que o país é uma referência global no combate ao trabalho escravo.

A dúvida é se a lista preliminar de exceções da investigação sobre trabalho forçado será ou não mantida na decisão final. Podem ser poupados da tarifa adicional de 12,5% itens como carnes bovinas, frutas tropicais, castanhas, café, chá, mate, especiarias, cacau, sucos. 

Processo inflacionário

André Matos, CEO da gestora de investimentos MA7 Capital, explica que a nova tarifa deve provocar um efeito inflacionário em todo o mundo, porque afeta o bolso do consumidor norte-americano e, consequentemente, os direcionamentos da política monetária. 

“Uma coisa é os Estados Unidos mirarem um país específico, como fizeram com o Brasil, outra é aplicarem uma sobretaxa sobre cerca de 60 economias de uma vez, sob a justificativa de trabalho forçado. Isso encarece o comércio global de forma ampla, e quando o maior importador do mundo eleva o custo de entrada, o efeito imediato tende a ser inflacionário lá fora”, afirma. 

“Se essa tarifa realimenta a inflação nos Estados Unidos, ela reduz o espaço para o Federal Reserve cortar juros, e juro americano alto por mais tempo costuma fortalecer o dólar e puxar capital de volta para lá, o que pressiona as moedas e as bolsas dos países emergentes, o Brasil incluído”, completa o especialista.

(Com Agência Brasil e Nathalia Garcia e Maeli Prado/Folhapress) via O tempo

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