Descarbonização é oportunidade, mas desafio produtivo e financeiro para grandes empresas

Cenário foi traçado por líderes de companhias importantes para a economia mineira durante um dos painéis de O TEMPO Seminários

A redução das emissões de carbono na atmosfera é encarada como um desafio, mas também um fator que desafia a operação de grandes empresas sob os pontos de vista financeiro e produtivo. O cenário foi traçado por líderes de companhias importantes para a economia mineira durante um dos painéis de O TEMPO Seminários – Transição Energética, realizado na manhã desta terça-feira (27/1), em Belo Horizonte.

O debate reuniu o diretor sênior de Relações Institucionais da Usiminas, André Chaves, o vice-presidente de Assuntos Regulatórios da Stellantis, João Irineu Medeiros, o CFO e diretor de Estratégia e Investimentos da ArcelorMittal Aços Longos LATAM e Mineração do Brasil, Fábio Paiva Scárdua, e o diretor de Descarbonização da Vale, João Luiz Turchetti. 

Durante o painel, João Luiz, da Vale, citou que a mineradora vê a descarbonização como um caminho sem volta. A mineradora já investiu, desde 2025, mais de R$ 7,4 bilhões em descarbonização. O aporte visa a redução de 33% das emissões diretas e indiretas até 2030 e alcançar a neutralidade de carbono até 2050.

“Na Vale costumamos dizer que a descarbonização é um caminho sem volta. A mineração que se vislumbra para o futuro é uma mineração menos intrusiva, uma mineração que emite menos, é sustentável e que nas minas, especificamente, passa por eletrificação. Mas para chegar lá temos desafios de investimentos em baterias, por exemplo. Mas a gente acredita que é o caminho, isso está na estratégia da Vale e não temos como recuar e precisamos de avançar de modo mais acelerado para fazer com que as coisas aconteçam”, observou. 

No mesmo caminho, Fábio Paiva, da Arcelor, reforçou o uso de energias renováveis nos projetos da empresa. A companhia colocou em operação, em novembro, o parque eólico do Complexo Babilônia Centro, na Bahia, com capacidade de geração de 535,5 MW.mO projeto, desenvolvido em parceria com a Casa dos Ventos, recebeu aporte de R$ 4,2 bilhões. 

Em Minas Gerais, a empresa concluiu a construção de um parque solar em Paracatu, no Noroeste do Estado, com investimento de aproximadamente R$ 895 milhões. “É um caminho sem volta e quem não abraçar de forma verdadeira e genuína vai ficar para trás”, assinalou o CFO. “O uso consciente das energias renováveis vai ajudar não só a garantir competitividade, mas garantir a sustentabilidade do negócio”, acrescentou.  

Na Stellantis, João Irineu Medeiros diz que o setor automobilístico para viabilizar os projetos de descarbonização depende, diretamente, de uma atuação sustentável de outros players do mercado, como mineradoras e siderúrgicas. “O desafio da descarbonização é transversal, tem dupla contagem e precisamos trabalhar junto para fazer acontecer. Trabalhando em perímetro não vai funcionar”, disse.

Medeiros ressaltou que para a montadora, responsável por marcas como Fiat, Jeep, RAM, Peugeot e Citroen, a descarbonização é considerado o maior desafio justamente pela transversalidade. “Ele não está limitado ao perímetro de atuação da montadora, ele envolve todos os CNPJ’s da cadeia. A mineração e aço são 60% do carro, alumínio mais 12% e tantos outros minerais que compõem o carro e precisamos evitar ter que minerar tudo isso de novo”, reforça ele. 

Usiminas tem otimismo contido 

Trabalhando para reduzir em 15% as emissões de carbono por tonelada de aço bruto produzido até 2030, a Usiminas mantém um otimismo contido em relação ao futuro do mercado do aço, conforme destacou o diretor sênior de Relações Institucionais, André Chaves. “Essa cautela está diretamente relacionada ao elevado volume de importações no mercado brasileiro,  especialmente de aço proveniente da China. O Brasil é um país competitivo, Minas Gerais é um estado competitivo, mas precisamos de ter isonomia”, disse.

De acordo com o Instituto Aço Brasil, as importações de aço no mercado brasileiro seguiram em expansão em 2025, com a entrada de 6,4 milhões de toneladas. Desse volume, 5,7 milhões de toneladas foram de laminados, um salto de 20,5% em comparação ao ano anterior. A importação de produtos laminados alcançou o maior volume em 15 anos.

“A gente segue fazendo nossos investimentos, segue mantendo o maior patrimônio que a empresa pode construir que são seus colaboradores, mas isso tem sido um custo muito elevado. Para que todas essas agendas não sofram nenhum tipo de retrocesso, a gente precisa de um diálogo amplo com a sociedade, com os governos, para que a gente siga no rumo certo”, acrescentou Chaves. 

Fonte: O Tempo

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